A vela mede o universo
regula a razão humana
mensura a distância dos aglomerados estelares
semelhantes a abelhas em enxameação
A vodka mede a vida
mensura a virtude do homem
Estrela é vela no céu
a noite é luz apagada
Vela na escuridão
do céu evoluindo em noturnos de Chopin
dançando abraçados ao véu das trevas
que chiam nos telhados
como um rádio buscando a frequência nas senóides
ou o ouvido zumbindo ao captar possíveis ondas senoidais
A noite é o triste fim da incidência direta do sol sobre o corpo
na calada da noite
que sai na rua como uma vagabunda solitária
somente a vodka pode brilhar no cereal
como noturno sol
colhido no dia de campo aberto em abelha e flor
A vodka somatiza o dia no corpo humano
com o sol guardado na garrafa
pedindo lábios como o amor
que somatiza anatomia e fisiologia
Estrela é vela acesa no céu de morcegos
À luz dessa vela a razão humana veleja
até os confins do universo
em variantes cefeidas que piscam em amarelo no telescópio
que picam os olhos com o dente amarelo
de sua estrela alfa
( Ó Alfa de Centauro, brilhai por nossos olhos
pescadores pecadores medidores das distâncias nos céus
mensurando o vermelho e amarelo
e toda a fita métrica colorida do arco-íris! :
O arco-íris foi a primitiva aliança de Deus com homens
depois que a pomba de Noé pousou
trazendo entrelaçada no bico
sinal verde-musgo de terra em substância erbácea
tocada pelos dedos miraculosos do violinista da clorofila
que fabrica a amada
a amada vodka)
Sobre luz ou mar
o homem navegou
tendo a razão como veleiro
nau capitânea sobre o mar da luz
riscado em sete espectros :
do verde ao azul à flor violeta
até o vermelho na maçã
o amarelo assinalando o veneno na serpente
cor odor e sabor na fruta madura
laranja empós auroras de flores odoríferas
com o metro do universo na vela
desde a Pincipia Matemática de Newton
à Razão pura em Kant
o olho mediu distâncias no cosmos
separou o céu em territórios de lactas galáxias
e observou a imensa solidão do homem
alienada em monge ou filósofo
para poder sobreviver à longa e triste solidão
que acena piscando os olhos
em piscadelas viajando anos-luz
na espaçonave construída com materiais mesclados
de tempo luz velocidade e espaço
Nave ave virtual
Mas a razão não regula a paixão
A razão nada vale em vodka
A vela soprou o veleiro e o balão
esculpiu a caravela
que singrou os sete mares sete céus
sete véus na dança do ventre
levando à proa a Vitória Alada de Samotrácia!
Porém foi a vodka que evitou o apocalipse do amor
descobrindo Deus na sarça ardente da vida
antes que o amor esfriasse
baixar ao cristal de gelo
A vela padrão da estrela alfa
a luz amarela das cefeidas
levaram a razão humana ao universo
em sua mensagem matemática de medir
A vodka juntou-se ao sangue
como a amada
que concebeu um filho
A razão
o anjo medindo
o anjo medido
em cefeidas
A vodka
a paixão da vida vinda do sol em cereais!
domingo, 4 de janeiro de 2009
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