domingo, 4 de janeiro de 2009

VENDO VODKA SMIRNOFF

Vendo vodka
porque não posso doá-la
a água é cara
e benta pela indústria
Salva de males
que advém no caminho
na metade dos passos do senhor nos passos
que é o homem na mei-idade
perdido sem rota
em meio à selva escura de Dante no canto do inferno
Selva eivada de feras
megatérios na oarte do corpo que é cérebro
cuja capacidade de imaginar
excede aos caprichos da natureza
(a natureza é fauno e flora
que no cérebro é Fauno e Flora
deusa e diva correndo nos símbolos
de florestas abstratas
desenhadas na tela encefálica)

Vendo vodka
porque o tempo está frio
o amor congelou na aldeia
como um pobre frade mendicante de Assis

Vendo vodka amada
antes que os frades menores
parem o coração num bloco de gelo

Vendo vodka amada
antes que o trópico de capricórnio
seja riscado do mapa

Amada
vendo vodka
antes que a noiva com flor no vestido
fantasiada de arlequim do amor
e faça da espontaneidade
que marca a paixão do amor
um cadáver de Romeu e Julieta

Vendo vodka
antes que fuja o violinista verde
com toda a vegetação
Ai!
antes que o violinista verde fuja com o fauno!

e o violinista celeste
enrole o céu qual um tapete persa
e fuja com todo o gado azul
que pasta de ponta-cabeça
na grama azul do céu

Vendo vodka
antes que o conceito de beleza de Chagall
fuja da vida no cérebro que lê
no cérebro posto no olho que tudo vê
e fique somente nos museus e fundações

Vendo vodka amada
antes que eu fique sem amada
e morra de frio na velhice
sem um gole de vodka amada
que ressuscite o coração

Vendo vodka amada
na aldeia congelada na imaginação de frades da ordem mendicante
ai!
antes que fujam os violinistas!
e o dia do Senhor rasge o céu e a terra!

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